Copa do Brasil: Os Vingadores da Nação Bicolor

Em cinemas abarrotados, filas quilométricas se formam para o filme que conta a história de super-heróis reunidos para uma missão especial, mas que falham miseravelmente em função de desentendimentos por vaidades e interesses difusos. Isso muda quando os protagonistas descobrem um objetivo comum, uma convicção que os motiva a lutar com todas as suas forças.

Quando pisou no Couto Pereira contra o Coritiba, o Paysandu disputava pela primeira vez uma oitava de final de Copa do Brasil. No cartel a campanha invicta na competição. Ter passado pelo Sport Recife com a autoridade de duas vitórias e goleada histórica em plena Ilha do Retiro dava a sensação de que vencer no Paraná não era algo impossível, mas a postura apática de um mal-escalado Papão e os 3 gols sofridos ainda no primeiro tempo escancararam a dura realidade de um clube que está na série C, eliminado pela campanha irregular no campeonato estadual e com orçamento 12 vezes menor que o do adversário.

O gol marcado por Tiago Potiguar e o pênalti defendido por Paulo Rafael no segundo tempo deram nova face ao confronto e ao Papão a esperança de que era possível reduzir a diferença e até empatar, se o ataque não perdesse tantas oportunidades. O pênalti convertido após expulsão do goleiro Paulo Rafael no finalzinho da partida poderia ter sido a pá de cal nas pretensões bicolores, que precisa vencer o jogo do volta em Belém por pelo menos 3 gols de diferença. A fatura estaria liquidada, pois a torcida do Paysandu – impaciente com os recentes fracassos do clube – não tem comparecido em grande número nos últimos jogos e a desclassificação iminente transformaria o Mangueirão em um campo neutro, sem torcida. Tarefa fácil para a classificação do Coxa.

A virada no roteiro aconteceu ainda no Couto Pereira, após o fim da partida, quando Dorival Chrispim, da rádio Transamérica, entrevistou o jogador bicolor Harisson, que havia entrado no segundo tempo, melhorado a movimentação do time e ainda substituiu o goleiro na sua expulsão:

O evidente tom de deboche do radialista apresentador e a defesa veemente que o meio campista bicolor fez da torcida do Paysandu funcionaram como uma bomba motivacional em Belém. Se imprensa, clube e torcida andavam se desentendendo no decorrer da temporada, Dorival Chrispim fez com que todos se unissem. Vários jornalistas paraenses desafiaram o apresentador a vir para Belém ver de perto a vibração da torcida, a fiel – que não andava tão fiel assim – está comprando ingressos como se fosse uma final de campeonato e o Mangueirão quando fica lotado ferve e faz o time do Papão jogar como se lutasse por um prato de comida.

Talvez o obtuso radialista profissional não tenha estudado o bastante para saber que quando o Paysandu esteve na primeira divisão, batia recordes com as maiores média de público do futebol brasileiro, mesmo figurando por muitas rodadas na zona de rebaixamento. Se tivesse feito o dever de casa, o radialista saberia que contra o Boca Juniors, na Libertadores da América de 2003, o Paysandu levou 65 mil torcedores ao estádio em dia de greve de ônibus com ingressos custando em média R$ 50 e também saberia que o torcedor paraense é um dos mais apaixonados do Brasil, não importa a divisão que seus times estejam.

O Papão, que precisa vencer por 3 a 0 para se classificar, volta ao papel de franco atirador e sabe da força do time Coxa-Branca. A torcida não tá nem aí para as estimativas desfavoráveis e em dois dias já comprou 20 mil ingressos – o dobro do público presente no Couto Pereira no jogo de ida – e está enfrentando sol e chuva nas filas para comprar mais. Espera-se a liberação da capacidade máxima do Estádio Olímpico do Pará (42 mil torcedores) para alcançar o recorde de público da Copa do Brasil de 2012. O torcedor do Papão sabe que a tarefa é dificílima, mas acredita que é capaz de empurrar o clube na superação de seus próprios limites.

Dorival Chrispim do alto de sua arrogância, mexeu no vespeiro e dificultou a vida do Coritiba, que perdeu a oportunidade de fazer um jogo tranquilo. Podem dizer que o Papão não tem estrutura, que falta dinheiro, que o futebol é desorganizado e que está na série C por (de)mérito próprio… Isso tudo é verdade. Porém, jamais mexam com a entidade que faz o futebol paraense sobreviver apesar de todas as dificuldades: a sua apaixonada torcida. Este foi o erro de Dorival, que despertou no torcedor e no time do Paysandu um legítimo espírito vingador!

Este meu texto foi publicado no blog Abrindo o Jogo, do jornalista paranaense Napoleão Almeida. O vídeo é da TV Transamérica. A foto das equipes perfiladas para o hino nacional é do blog Redação em Campo e os anúncios promocionais da partida foram publicadas originalmente pelos perfis do twitter de Fernando Torres e do Exército Bicolor.

19 comentários sobre “Copa do Brasil: Os Vingadores da Nação Bicolor

  1. Concluo que o Jogador bicolor comparou a torcida que estaria presente no Mangueirão com a do momento que compareceu ao Couto Pereira, mas quando o repórte baixou o nível fazendo comparações no momento atual dos clubes, levou o tema por outras vias. A torcida do Coxa e a nação bicolor não cabem no infinito pelas grandezas que representam.

  2. Realmente amigo, foi uma linda campanha de colocar as pessoas no estádio e parabéns pelo recorde, o Coritiba esta longe de ter 40.000 calados ao mesmo tempo. Quando fomos rebaixados para a serie B, ainda mesmo que distante da C perdemos cantando.
    Mostre a torcida de vocês que os jogadores devem ser motivados o tempo todo do jogo.

  3. Bom dia, Sou Coxa Branca. Acho o seguinte sobre tudo isso… Tenho que reconhecer Dorival Crispim, é que é o Esperto da história. Veja o seguinte: através destas polêmicas que ele se promove, e nesta atual polêmica ele conseguiu colocar o seu nome na mídia para no minimo 40.000 pessoas; e nós, o deixamos cada vez mais conhecido… Para quem não conhece ele sobrevive na mídia aqui no paraná, desta forma… Quanto ao Jogo ter 15.000 pessoas aqui em curitiba… é pelo abuso do ingresso custar R$ 90,00, se custasse 10,00 como foi o jogo aí, com certeza lotariamos o estádio, mas isso é outra questão… Aqui o ingresso é um roubo!
    E se torcida fosse responsável por títulos com certeza bahia e vitória seriam os recordistas de títulos!

    1. Concordo com você em tudo o que você disse. E digo mais, se torcida fosse responsável por títulos, Paysandu e Remo estariam na série A.

  4. E ai vingadores como vão??? Brincando em campo perdendo gols incriveis fazendo linda de passe dentro da area do papãozinho o COXA levou fácil o jogo frente aos vingadores que agora voltam pra sua realidade série C!! Pensaram que eram grandes, grande é o COXA recorditas de vitórias no mUNDO!!!

    1. A alegoria dos Vingadores, se você viu o filme entenderá, era só para mostrar como um inimigo comum – Dorival, não o Coritiba – pode unir o Papão com torcida que andava afastada. Era um jogo de um time da série A contra um da série C. Deu a lógica. A torcida acreditou como aconteceria com qualquer grande torcida. Parabéns ao Coritiba, que foi um grande adversário e mereceu a classificação.

  5. Boa tarde. Sou Coxa-Branca e tenho uma coisa a dizer: DORIVAL CRISPIM É UM IDIOTA. O clube que ele torce: os porcos de Curitiba, mais conhecido como Atletico-Pr. Criou um clima de guerra onde não havia necessidade.

    Quero dizer que simpatizo com o Paysandu (pra mim o mais tradicional clube do norte do país, sem demagogia) e não gostaria mais de ver o nome de “jornalista” associado ao Coritiba.

    Agradeço se puder publicar.

    Bom jogo a todos nós.

      1. Caro Fabricio
        Me desculpe a sinceridade, mas lendo o seu comentário e sendo torcedora assídua do futebol do estado do Paraná, não acredito que você seja torcedor. O fato é que cada um vê com os seus próprios olhos, e, ambos os comentários podem ser interpretados pelo lado bom e ruim. Mas se alguém, seja jogador, dirigente, jornalista, seja o que for, vier aqui NO MEU ESTADO, QUE TENHO TANTO ORGULHO, e falar mal de um dos times daqui, me desculpe, mas a minha atitude teria sido a mesma, se não pior do que a do Chrispim. Ainda mais se o comentário fosse do meu time do coração, e pior ainda, sobre TORCIDA. Eu não ficaria calada. O fato é que, gostem ou não, aceitem meu comentário ou não, pra nós aqui do Paraná o Paysandu (com todo o respeito, falo apenas a verdade) não é um time que, digamos, “empolgue” a torcida a ir ao estádio, e por isso tinham 9 mil torcedores no colto aquele dia. Sem levar em conta o preço do ingresso, que aqui é de 80 reais e não de 10. E isso não há como contestar, pois basta uma rápida análise da partida, não vamos muito longe, basta apenas saber o placar do jogo para saber que isso é um fato. E mais fato ainda, é que a diretoria e todas as pessoas envolvidas usaram isso para mascarar a eliminação do time no campeonato local e também a derrota de 4 do time Paraense. Bom, acredito eu que, em poucas horas, teremos esse assunto resolvido, mas, fica a minha opinião registrada.
        P.s: Não sou torcedora do Coritiba, e sim do seu maior rival, Clube Atlético Pr, mas acima de tudo, torcedora do FUTEBOL PARANAENSE.

        1. Oi Vanessa,

          Obrigado pelo comentário. Desculpa autorizar só agora, mas é que quando você o fez eu estava no estádio.

          Considerando que você leu meu texto, acho que fui bem claro em mostrar que o futebol paraense está muito aquém da realidade paranaense (clubes nas séries C e D, orçamentos 12x menores e estruturas péssimas) e a eliminação no estadual e a derrota de 4 para o Coxa não são coisas mascaráveis por aqui.

          Quando Harisson falou que a torcida no Pará iria ser muito maior que a presente no Couto Pereira ele apenas afirmou tudo aquilo que você acabou de escrever no comentário (falta de motivação em função do adversário, custo do ingresso e etc). O problema é que o jornalista de maneira agressiva interpretou isso como uma ofensa à torcida do Coritiba – o que não foi – e “defendeu” ofendendo, ao insinuar que a torcida do Paysandu não poderia ser maior que a do Coritiba – com que argumento? Porque está na série A.

          Ora convenhamos, os times do Pará podem até ser fracos, mas suas torcidas são imensas e com torcedores não apenas no estado, como em toda região Norte. Outra coisa: o Coritiba também não tem aqui o apelo que tem Flamengo e Corinthians e se não houvesse a provocação o estádio poderia não ter tido um público muito grande, considerando que a eliminação era iminente e não havia muito o que se fazer considerando a limitação da equipe.

          Você deve ter visto que mesmo com a derrota a torcida aplaudiu o time do Paysandu. O torcedor apóia, empurra o time, mas reconhece que o Coritiba foi melhor em ambos os jogos e que o Papão fez o que tinha condições de fazer. Coritiba não é inimigo, nunca foi. É um adversário respeitado. Dorival mexeu com o brio da torcida, que respondeu nas arquibancadas batendo o recorde de público da Copa do Brasil de 2012 (quase 40 mil torcedores, o recorde anterior de 26 mil era do jogo Remo x Bahia) e fez essa gente acreditar – ainda que por alguns instantes – o impossível seria possível.

          No final todos vencemos: o Coritiba que saiu com a classificação merecida, dada sua superioridade técnica e o Paysandu que mostrou a força de sua torcida para o Brasil inteiro, ganhou um bom dinheiro na renda da partida e pode avaliar bem, contra um adversário forte, seus defeitos e qualidades para aprimorar o time à mais importante disputa do ano: o acesso a série B!

  6. nao vi desrespeito nenhum com a torcida do paysandu, quem desrespeitou foi o tal harrison dizendo que a torcida do paysandu é bem maior que a do coritiba, que realmente compareceu em pequeno numero( 10 mil pessoas) numa quarta a noite em meia a chuva e frio de 10 graus para acompanhar a partida

  7. Olá, bom dia. Primeiramente parabéns pelo blog e parabéns à torcida do Papão. Sou Coxa-Branca e gostaria que divulgasse meu comentário.

    Quero esclarecer algo que estão distorcendo, acredito que o fazem com o propósito para o bom jogo do Paysandu, mas que de fato estão destorcidos.

    Eu estava ouvindo o jogo pela rádio Transamérica e ouvi o momento da entrevista do jogador Harison com o Chrispim, ocorre que não foi o jogador quem defendeu a torcida, foi o repórter. Quem começou a provocação foi o jogador, podem procurar o aúdio completo no site da transamerica, o jogador desmereceu a nação alviverde e o repórter agiu em interesse ao nosso futebol, normal até aí, cada um cuida do seu. Gostaria apenas de esclarecer isto, quem faltou o repeito primeiramente com o centenário Coritiba, campeão brasileiro e recordista de vitórias consectuvias e que possui mais de 1,4 milhão de torcedores, foi o jogador do Paysandu Harison.

    Abrçs a todos de Belém e que seja um ótimo jogo.

    1. Oi Tiago,

      Obrigado pela atenção e concordo que o episódio está sendo usado para motivar a torcida. No entando, o Dorival induziu a discussão para o lado de disputa de torcidas. Quando o Harisson disse que haveria bem mais gente em Belém no jogo de volta, ele se referia ao público presente naquele dia no estádio – pouco mais de 10 mil torcedores – quantidade que é facilmente batida em partidas importantes por aqui. Com seu estilo agressivo e provocador, o jornalista levou para o lado de comparar tamanho de torcida e usou como argumento a presença na série A e a tradição (como se o Paysandu não fosse um time tradicional que já esteve por vários anos na série A e disputou Libertadores da América).

      Há uma pesquisa do Ibope divulgada em 2010 em que o Paysandu e Remo aparecem cada um com 1,4 milhões de torcedores, a frente do Coritiba que teria menos de 1 milhão. Não acho que o Paysandu tenha uma torcida bem maior que a do Coritiba (e vice e versa), mas os argumentos de Dorival Chrispim e a forma como ele tratou o jogador – mandando-o calar a boca – foram bastante ofensivos pra nação bicolor. Mas a bronca não é com o time do Coritiba, que é muito respeitado por aqui, e sim com a maneira desrespeitosa que o jogador do Papão foi tratado pelos integrantes do programa de rádio.

      Não é o que se fala e sim COMO se fala. E já vi que não foi a primeira vez que esse jornalista criou problemas com profissionais do futebol.

      Enfim, certeza que será um grande jogo e – principalmente – uma bela festa da torcida.

      1. sim, uma pesquisa tbm que diz que a portuguesa tem 1 milhao de torcedores pode ser levada a serio?

        amigo, pesquise os times que mais vendem camisa no brasil, que mais vendem ppv no brasil, que tenha a maior media de publico do brasil e vera o coritiba sempre entre os maiores

        1. Eu acho que a torcida de Paysandu e Coritiba tem tamanhos equivalentes. O Paysandu também é recordista em venda de camisas, pode checar com os fornecedores de material esportivo. O Coritiba está numa fase bem melhor – reconhecemos – mas a torcida do Paysandu é apaixonadíssima e tá com o time mesmo na série C. Um abraço e obrigado pelo comentário.

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