A Barbie do Diabo

O ano era 2000 e eu entrava pela primeira vez nos corredores de uma Universidade. Eram meus primeiros passos no Direito e ainda me faltava uma opinião formada a respeito do curso. Foi justamente na primeira aula, do primeiro dia de aula, que a conheci.

Com prognatismo mandibular, cabelo de boneca velha (e suja) e um linguajar avançado demais para meu vocabulário recém-saído do cursinho pré-vestibular, ela personificou a dificuldade que tive no início da vida acadêmica.

Primeiro porque eu era sempre o personagem dos exemplos que ela dava em sala de aula, segundo porque embora eu cultivasse um indescritível temor por ela, a criatura me adorava, terceiro porque o livro por ela recomendado simplesmente não era absorvido por meu cérebro.

Tive até um sonho – digo, um pesadelo – em que eu chegava atrasado na aula dela usado camisa preta, bermuda e um cordão de bolas de ferro (meu traje usual da época) e sentava na última fila. Ela se aproximava, me puxava pelo cordão e me tascava um beijo. Isso foi apavorante.

Na época, inspirado nela, escrevi este poema. Eu nem tinha mais o manuscrito, no entanto Adilzes, uma colega de turma que o tinha copiado, me enviou. Ei-lo:

Ode à Bernardeth Ferreira
(Pedrox Loureiro)

Estava caminhando sob o sol num belo dia de inverno
Até que em minha frente, surge a imagem do inferno
Tentei me controlar, escondendo-me atrás da mangueira
Pois tinha muito medo, afinal era a Bernadeth Ferreira.

Fui para o meio da rua e me atirei contra uma van
E mesmo assim sorria, aquela Barbie do Satã
Ela sabe que a odeio, mas quer contrair matrimônio
Porém bigamia é crime e ela é casada com o demônio

Observei o quão é apavorante aquele sorriso sarcástico
Talvez um dia até seja eleita como “garota do fantástico”
Não desejo ao pior inimigo, aquilo que a faz feliz
Estudar pelo Compêndio da Maria Helena Diniz

Agora não há saída, isso não tem mais jeito
Quem mandou adentrar nos meandros do Direito
Diga-me professorinha, como devo proceder
Para ficar acima da média no próximo NPC?

Glossário:
Bernardeth: Nome fictício. O sobrenome só foi mantido para não perder a rima do quarto verso.
NPC: Nota Parcial de Conhecimento. É como eram denominadas as avaliações da Unama.

4 comentários sobre “A Barbie do Diabo

  1. Nõ gosto mais de barbie uma vez eu sonhei que ela estava num porograma virou pra min e picou o olho.Depois dissotentei pesquizar sobre ela e acho que ele é realmente do mal.DIABOLICA.

  2. eu tenho 10 anos e brinco de barbie tenho a cozinha a casa e etc… o seu pesadelo nao é pior q o meu sonhei q a minha barbie cozinheira ganhava vida e perseguia.

    1. eu concordo com vc o meu pesadelo nao é pior q o dele eu tenho 10 anos amo brincar de barbie sonhei q a minha barbie ganhava vida e tentou me pegar

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