A Casa de Pequenos Cubinhos

Vídeo venceu o prêmio de melhor curta de animação do Oscar 2009.

Vi este vídeo pela primeira vez no Animamundi de 2008 e me impressionei pela sensibilidade com que mostra um senhor idoso e solitário fazendo uma viagem metafórica por suas memórias. Foi eleito o Melhor Curta de Animação do Festival de Annecy 2008, Melhor Roteiro no AnimaMundi 2008 e Melhor Curta de Animação do Oscar 2009. Passei anos procurando no youtube e em 2013 encontrei no YouTube.

A história mostra uma cidade em que as águas pouco a pouco vão elevando seu nível – uma crítica ao aquecimento global – e os moradores precisam construir novas casas em cima das anteriores. E a cada nova casa construída é um momento da vida repleto de lembranças que fica submerso e às vezes precisamos revisitar.

Eleito o nome internacional do curta em francês, conta a história – sem diálogos – de um senhor com idade já avançada que mora em uma cidade ao nível do mar. Com o passar do tempo, o nível da água vai subindo, e, desta maneira, o idoso tem que erguer ainda mais sua casa, que é levantada tijolo por tijolo. Kunio Kato consegue apresentar em singelos 12 minutos o que diretores populares nunca conseguiram em todas suas carreiras. O pouco tempo é marcante e de quebra dá um panorama lúcido e atual do aquecimento global – que com o derretimento das calotas polares vem engolindo aos poucos algumas ilhas do sudeste asiático e do resto do mundo.

SINOPSE: É a estória de um solitário idoso que para fugir de uma inundação, vai adicionando andares sobre sua antiga casa que está submersa. Também submerso, está suas memórias e os momentos felizes que passou ao lado da família. Com uma roupa de mergulho, ele revisita o passado, empreendendo uma viagem sentimental e penosa ao seu passado.

Direção e roteiro: Kunio Katô.

Um Pálido Ponto Azul

Várias versões do texto de Carl Sagan sobre a imagem da terra que mostra nossa insignificância perante a grandeza do universo.

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Minha formação religiosa é toda católica, mas sou praticante do Saganismo, termo difundido nas redes sociais para definir pessoas que, impactadas pela obra de Carl Sagan, tendem a ser mais céticas e racionalistas.

Ele se notabilizou como um dos maiores divulgadores científicos do mundo e eu fui muito impactado pela série Cosmos. Inclusive semana passada publiquei um conteúdo sobre o disco dourado da Voyager, uma das histórias mais marcantes dentre as que aprendi assistindo o programa televisivo.

E por falar na Voyager, quando ela estava a 6,4 bilhões de quilômetros da Terra, esta sonda espacial recebeu um comando para se virar e fotografar o caminho percorrido. Uma das imagens enviadas mostrava a terra como insignificante e, nas palavras de Sagan, “pálido ponto azul”.

Inspirado pelo registro, em 1994 o cientista lançou um livro chamado Pálido Ponto Azul – Uma Visão do Futuro da Humanidade no Espaço, também gravado em Audio Book, e no vídeo abaixo, uma versão legendada de We Are Here: The Pale Blue Dot, sobre texto de Carl Sagan, narrado por ele próprio:

O texto é lindo e nos ajuda a pensar sobre nossa irrelevância diante da grandeza do universo. Um blog chamado Zen Pencils, que faz quadrinhos com textos famosos em inglês, ilustrou em tirinhas o relato de Sagan e o blog brasileiro Um Sábado Qualquer traduziu. Espia:

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De todas as versões, a que eu mais gosto e a com maior poder de atrair os ninjas cortadores de cebola é a editada e gravada pelo dublador Guilherme Briggs, contendo uma boa dosagem de emoção para nos trazer um olhar diferente sobre o nosso planeta. Assista:

Mafalda, o filme (1982)

Longa metragem produzido há 35 anos está disponível no Youtube.

Mafalda é uma tira escrita e desenhada nas décadas de 60 e 70 pelo cartunista argentino Quino, que este ano completou 85 anos. Nas histórias a protagonista se preocupa com  a humanidade e a paz mundial e se rebela com o estado atual do mundo. Os quadrinhos tiveram altíssima popularidade na América Latina e Europa. Mafalda foi muitas vezes comparada ao personagem Charlie Brown, de Charles Schulz, principalmente por Umberto Eco em 1968.

Apesar de Quino ser contrário à ideia de uma adaptação ao cinema ou teatro, um desenho animado foi realizado por Carlos Márquez em 1982. Ele continua pouco divulgado e conhecido, mas pode ser visto na íntegra no You Tube. Postei originalmente este vídeo aqui em 2012, mas como o link quebrou, aproveitei para atualizar e publicar novamente. Confira a ficha técnica e a sinopse deste filme:

Ficha técnica: Mafalda – Argentina, 1982, 85 min – Direção: Carlos D. Marquez.

Sinopse: A animação tenta não descaracterizar a construção tradicional do humor da Mafalda, apresentando uma série de gags curtinhas, mas relacionadas entre si e unificando uma única estória. Baseado nas tiras da turma da Mafalda, criação do argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino, o filme traça um perfil básico de todos os personagens clássicos da trupe, deixando entrever no traço a arte original das tiras. Também é conhecido pelo nome adotado na Espanha: “El Mundo de Mafalda”.