A arte de (tentar) não ser chato nas redes sociais

Eu adquiri preguiça de discutir nas redes sociais. Porque considero infrutífero. As pessoas, de um modo geral, não estão abertas a buscar informação ou aceitar argumentos opostos. Todos querem, na verdade, apenas confirmar a narrativa que afina com suas crenças e referências pessoais.

É algo que percebo dos assumidamente radicais aos enrustidos que se dizem isentões, mas que sempre pendem pra um lado específico quando a coisa aperta. Não há espaço para reflexão, nem margem para convencimento.

Isso vale pra mim, pra você e para qualquer pessoa que vai visualizar, curtir ou comentar este post. Não há escapatória. Todos temos um lado, mesmo que a gente não perceba, e todos tentamos o tempo todo convencer as outras pessoas que ele está certo e, o pior, que o outro está absurdamente errado.

O esforço necessário que precisamos fazer é o de não nos tornarmos inconvenientes, nem agressivos, tampouco desrespeitosos uns com os outros. É difícil? É. Mas é um exercício permanente. Talvez seja o desenvolvimento da arte de tentar não ser chato.

Adeus, Orkut, e obrigado por tudo!

Primeira página inicial do orkut, em fevereiro de 2004.
Primeira página inicial do Orkut (fevereiro de 2004)

Entrei no Orkut em 2004, por insistência do Dudu Maroja, e vivi tantos momentos importantes nesta rede social que nunca tive coragem de apagar meu perfil. Fui um dos primeiros a entrar e permaneci na festa até o final, mesmo após sua decadência e longa agonia.

Hoje é o último dia do Orkut e aproveitei para reler meus depoimentos (os recebidos e os enviados) e lembrar de tantas histórias que passei neste tempo todo. Boa parte do meu capital social foi construído no Orkut e muito do que vivi teve esta rede como um espaço de afeto mediatizado.

Cultivei relacionamentos (duradouros alguns e outros nem tanto), contatos profissionais e grandes amizades lá. Conheci meu pai (em 2008), toda minha família paterna e ganhei um sobrenome novo, além de ainda guardar um depoimento romântico da Mariana em nossos primeiros meses de namoro (em 2010).

Talvez a letra de In My Life, dos Beatles, consiga traduzir o que sinto neste momento, lembrando de tanta coisa que se passou durante estes 10 anos de Orkut, especialmente nos trechos abaixo:

“Todos esses lugares tiveram seus momentos
Com amores e amigos dos quais ainda posso me lembrar
Alguns estão mortos, e outros ainda vivem
Em minha vida, eu amei todos eles”

[…]

“Embora eu saiba que nunca vou perder o afeto
Por pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que, com frequência, eu vou parar e pensar nelas
Em minha vida, eu amo mais você”

Em outras palavras, com o perdão da pieguice: o Orkut vai morrer e vai pro céu das redes sociais, mas continuará vivo em meu coração junto com todas as lembranças que ele me proporciona.

Adeus, Orkut, e obrigado por tudo!

P.S.: O Orkut será oficialmente encerrado hoje, mas você pode fazer backup dos seus dados e fotos neste link até 30 de setembro de 2016.