Um Pálido Ponto Azul

Várias versões do texto de Carl Sagan sobre a imagem da terra que mostra nossa insignificância perante a grandeza do universo.

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Minha formação religiosa é toda católica, mas sou praticante do Saganismo, termo difundido nas redes sociais para definir pessoas que, impactadas pela obra de Carl Sagan, tendem a ser mais céticas e racionalistas.

Ele se notabilizou como um dos maiores divulgadores científicos do mundo e eu fui muito impactado pela série Cosmos. Inclusive semana passada publiquei um conteúdo sobre o disco dourado da Voyager, uma das histórias mais marcantes dentre as que aprendi assistindo o programa televisivo.

E por falar na Voyager, quando ela estava a 6,4 bilhões de quilômetros da Terra, esta sonda espacial recebeu um comando para se virar e fotografar o caminho percorrido. Uma das imagens enviadas mostrava a terra como insignificante e, nas palavras de Sagan, “pálido ponto azul”.

Inspirado pelo registro, em 1994 o cientista lançou um livro chamado Pálido Ponto Azul – Uma Visão do Futuro da Humanidade no Espaço, também gravado em Audio Book, e no vídeo abaixo, uma versão legendada de We Are Here: The Pale Blue Dot, sobre texto de Carl Sagan, narrado por ele próprio:

O texto é lindo e nos ajuda a pensar sobre nossa irrelevância diante da grandeza do universo. Um blog chamado Zen Pencils, que faz quadrinhos com textos famosos em inglês, ilustrou em tirinhas o relato de Sagan e o blog brasileiro Um Sábado Qualquer traduziu. Espia:

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De todas as versões, a que eu mais gosto e a com maior poder de atrair os ninjas cortadores de cebola é a editada e gravada pelo dublador Guilherme Briggs, contendo uma boa dosagem de emoção para nos trazer um olhar diferente sobre o nosso planeta. Assista:

O disco dourado da Voyager

Há 40 anos a humanidade jogou sua garrafa de mensagens no oceano cósmico.

Cosmos: uma viagem pessoal, de Carl Sagan, é um marco na divulgação científica por meios audiovisuais. Os 13 episódios da série foram exibidos entre 28 de setembro e 21 de dezembro de 1980. Está disponível no Youtube a versão atualizada e remasterizada da série original e no Netflix o remake com Neil DeGrasse Tyson.

No episódio 6, Carl Sagan menciona as sondas espaciais Voyager 1 e Voyager 2, lançadas respectivamente em 20 de agosto e 05 de setembro de  1977, com o objetivo inicial de pesquisar os confins do nosso Sistema Solar.

Além de buscar conhecimento sobre o universo, o Programa Voyager tem outra missão, ainda mais intrigante, que Sagan nos mostra com mais detalhes no episódio 11: levar um disco contendo mensagens da Terra para além da Via Láctea.

Este disco de cobre folheado a ouro possui gravadas 115 imagens, saudações em 55 idiomas, sons de trovões, pássaros, músicas, etc. Nele há instruções de como executá-lo, bem como a localização da Terra em ralação à 14 pulsares.

O material mandado ao universo torna a exploração espacial ainda mais romântica e lírica, provocando grande fascínio naqueles que conhecem sua história. A curiosidade em saber qual o cartão de visitas que as Voyagers levam da Terra para nossos vizinhos intergalácticos é praticamente inevitável.

Para celebrar os 40 anos do envio das sondas espaciais, o jornal Nexo fez uma grande reportagem sobre este projeto, trazendo detalhes desta história e disponibilizando todas as gravações do disco. É uma compilação fantástica de imagens, ritmos, sons, dialetos e línguas do nosso planeta, como, por exemplo, esta saudação dos terráqueos para os alienígenas em vários idiomas:

Leia: Garrafa no oceano cósmico: os 40 anos das Voyagers e seus discos dourados | Nexo Jornal, de 29.08.2017