Agência Pública lança nova campanha de financiamento coletivo

Projeto Reportagem Pública 2017 pretende arrecadar R$ 80 mil até o final de outubro para financiar jornalismo investigativo.

As mudanças nas tecnologias de produção e consumo do conteúdo provocaram grandes alterações na sociedade e, naturalmente, o modo de fazer notícias também mudou. Estamos vivendo a era pós-industrial do jornalismo, em que novos modelos estão sendo pensados e experimentados para modificar todas as etapas de produção.

Das iniciativas contemporâneas a que mais me chama atenção, inclusive sendo objeto da minha dissertação de mestrado, é a Agência Pública de Reportagem e Jornalismo Investigativo, uma organização sem fins lucrativos fundada e dirigida por mulheres.

Suas investigações abordam transparência e direitos humanos e as reportagens são publicadas por mais de 70 veículos brasileiros e estrangeiros – desde grandes portais até blogs e sites independentes.

Em seis anos de história, venceram 29 prêmios. Em 2016, foi o terceiro veículo mais premiado do Brasil, atrás apenas das organizações Globo!

Reportagem Pública 2017 é a terceira edição de um projeto realizado em 2013 e 2015 como uma maneira que a Pública utiliza para construir uma comunidade que se mobiliza e incentiva, tal qual uma parceria da agência com os leitores.

Na soma das duas edições anteriores 25 reportagens foram financiadas por 1738 apoiadores. Além de terem impacto na vida real, as reportagens financiadas pelo colaboradores ganharam 6 prêmios nacionais e internacionais.

Além do fomento ao jornalismo investigativo, o apoiador pode escolher o tema de cada reportagem e com o voto é possível fazer reportagens mais urgentes, sobre os temas que os leitores querem saber.

Sem intermediadores.

Sem patrocinadores.

Sem anunciantes.

Sem patrão.

Assista o vídeo de apresentação da campanha:

Existem várias faixas de contribuição que variam de R$ 30 a R$ 1.000. As contrapartidas são proporcionais ao valor investido, sendo quem todas permitem que o colaborador participe do conselho editorial e acompanhe as etapas de produção das reportagens.

Os R$ 80 mil que devem ser arrecadados até o dia 27 de outubro serão utilizados para financiar 8 reportagens investigativas a partir de novembro, incluindo gastos gerais, viagens e pagamento do repórter. Os investimentos são discriminados no gráfico abaixo:

Eu participei das duas campanhas anteriores e só não contribuí nesta porque ainda não decidi qual valor de colaboração terei condições de investir, mas estou muito interessado em participar do Workshop “Não compartilhe fake news!” – Como identificar fake news e checar boatos na Casa Pública (RJ), disponível na faixa dos R$ 150. É provável que eu vá nessa.

Para participar, acesse: https://www.catarse.me/reportagempublica2017

Documentário: Quem matou Eloá? (2015)

Curta-metragem de Lívia Perez discute a naturalização da violência contra a mulher e a abordagem da mídia televisiva.

Em 2008, Lindemberg Alves de 22 anos invadiu o apartamento da ex-namorada Eloá Pimentel de 15 anos, armado, mantendo-a refém por cinco dias. O crime foi amplamente transmitido pelos canais de TV.

O documentário “Quem matou Eloá?” traz uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o quinto no ranking de países que mais matam mulheres.

Confira mais informações no site Porta Curtas.

Leia também: Quem matou Eloá?: a mídia e a violência contra a mulher

Histórias do jornalismo: o caso Escola Base

Em 2014, o Caminhos da Reportagem (TV Brasil) dedicou um programa de 50 minutos para mostrar o que aconteceu 20 anos depois.

Uma das minhas aulas favoritas da disciplina Técnicas de Apuração e Pesquisa Jornalista é a que eu apresento aos meus alunos um dos erros de apuração mais emblemáticos da história do jornalismo: o caso da Escola Base.

Na oportunidade fazemos uma reflexão acerca da importância da apuração e da gravidade de veicular notícias sem o devido cuidado técnico com as informações. Este exercício de empatia é feito com a exibição dos três vídeos curtos abaixo:

Quem quiser entender com mais profundidade o episódio e seus desdobramentos, recomendo assistir o programa Caminhos da Reportagem que a TV Brasil produziu em 2014. São 50 minutos dedicados para destrinchar o caso.

Março de 1994. Duas mães denunciam os donos de uma escola infantil, um motorista do transporte escolar e um casal de pais de um aluno por abuso sexual. A acusação é aceita pelo delegado e noticiada como um furo de reportagem pela TV Globo. A imprensa passa a cobrir a história em que os protagonistas são crianças de 4 anos, e o delegado passa do anonimato às manchetes dos jornais.

A escola e a casa de uma das professoras são invadidas e depredadas. Quando vão à delegacia para obter os detalhes da acusação, os donos da escola sofrem com o abuso das autoridades. Sem provas, o inquérito policial é arquivado, mas a vida dos acusados nunca mais seria a mesma.

Por que mais de uma criança contou a mesma história ao delegado? Por que a imprensa embarcou na acusação do delegado? O Caminhos da Reportagem refaz o quebra-cabeças de um caso que é até hoje estudado nas faculdades do país.

Assista:

  • Ficha Técnica:
    • Reportagem: Gustavo Minari.
    • Produção: Aline Beckstein, Fernanda Balsalobre, Luana Ibelli, Mariana Fabre e Thaís Rosa.
    • Imagens: Edina Girardi, Eduardo Viné e Marcelo Yves.
    • Auxiliares: Edgar Monteiro, Rodrigo Mattos e Raimundo Nunes, Valdemar.
    • Edição de Imagens e finalização: Caio Cardenuto, Fábio Montes e Vanessa Nascimento.
    • Direção: Bianca Vasconcellos.

Recomendação Extra: Também há um livro relatando o caso. A obra se chama Escola Base, de Emílio Coutinho e tem prefácio de Heródoto Barbero. Foi publicado pela editora Casa Flutuante e custa apenas R$ 40. Compre neste link.