Blocos Carnavalescos de Duplo Sentido

Eu até me empolgo para para participar de blocos de carnaval, mas o clima londrino desses dias chuvosos de Belém e  arredores, somado à minha falta de disposição para sacudir o esqueleto me tornam um cara que não aprecia a folia momesca em sua plenitude. Não passo de um voyeur do carnaval. Gosto de ver os blocos, assistir os desfiles do Rio (na TV) e no máximo apontar os indicadores para cima na hora do ala-la-ô. Tudo além disso foge à minha natureza.

Sou mangueirense e gosto de ver a Mangueira entrar (no bom sentido, é claro). Aprecio sambas e sambas-enredo, além disso me especializei em avaliar todos os quesitos de cada agremiação que atravessa a Marquês de Sapucaí, bem como, nutro uma capacidade impressionante de me indignar com os jurados no dia da apuração. O carnaval de Belém já teve seus tempos de destaque na década de 80, quando só perdia em popularidade para os célebres do Rio e de Salvador. Hoje a profusão de papel celofone e cartolina que é apresentada na Aldeia Cabana (avenida do samba na cidade) ao invés de animar é capaz de causar depressão nos brincantes.

O que pode ser marca do renascimento carnavalesco na capital são os blocos insurgentes pela cidade e são herdeiros do célebre Afoxé do Guarda Chuva Achado, que agitou a mangueirosa nos anos 80. Além do Filhos de Glande e do Cordão do Peixe Boi (esse não é um bloco de carnaval, mas é como se fosse), uns outros dois ou três blocos fazem a alegria da cidade durante o carnaval. Tem também o Mangal dos Urubus – iniciativa do dono do bar The Beatles e seus frequentadores mais assíduos. Todos esses blocos são muito legais (para quem gosta de carnaval, claro).

Eu me divirto mesmo é com os de duplo sentido, que viram piadas entre amigos, nas mesas de bar e nas repartições. Só para exemplificar, farei a lista de alguns dos mais engraçados nomes de blocos que percorrem a cidade:

  • Filhos de Glande
  • Bloco Hidráulico Carnavalesco do Xiri Relampiando
  • Piriquitão
  • A Cobra não morde. Pica
  • Toco Cru Pegando Fogo
  • Põe Tucupí no meu Pacú
  • Tico Mia, do Tapanã
  • Associação Bloco Carnavalesco Chupicopico (esse disputa o carnaval oficial da prefeitura)

Essa lista não exaure a inúmera quantidade de nomes fantásticos que a criatividade do paraense criou. Quem souber mais nomes que eu não tenha citado, por favor, inclua nos comentários.

Texto atualizado do que originalmente foi publicado em 31.01.2008

Autor: Pedrox

Jornalista. Mestre em Planejamento do Desenvolvimento (NAEA/UFPA). Bacharel em Direito e em Comunicação Social/Jornalismo. Professor do curso de Jornalismo e Publicidade & Propaganda na Estácio FAP.

5 pensamentos em “Blocos Carnavalescos de Duplo Sentido”

  1. Pedroca esse post é digno do Ideias [www.ideiasqueeunaotive.wordpress.com] pois parece que quem escreveu fui eu [rs], mas se me permitires gostaria de mandar um Ctrl + C | Ctrl V no Culturânea, afinal, carnaval é cultura.

    Quanto aos nomesdos blocos lembro do meu primeiro carnaval em Belém, Mosqueiro pra ser mais exato, por lá existiam [ou existe] o Ku Olhão, bloco onde um olho gigante no estilo Viva Noite andava pela 16 de Novembro até o Carramanchão. Outro inesquecível [comprei até camiseta] era o Há Jacú no Pau! Um clássico [rs].

  2. Contribuições:
    Hoje desfila em Outeiro a Associação Beneficiente Recreativa e Carnavalesca PARAFUSETA DE CARATATEUA
    Em Mosqueiro os Blocos K PITÃO, BLOCOZINHO,BACU DE SUNGA, TORO O DEDO DAÍ. Ontem saiu o bloco XERAKI.
    Em Cotijuba, domingo, sairam os blocos XIRIZAL, RABO DA PIRANHA e em Mosqueiro AS SAPAS TÃO NA FOLIA.
    Isso no oficial (digo, programação oficial da FUMBEL), imagina no paralelo!
    Divirta-se!

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