Sobre a palestra de Jan-Hinrik Schmidt na UFPA

Professor alemão fala sobre relação entre novas mídias e democracia.

Saiba como foi a apresentação de Jan-Hinrik Schmidt nesta matéria com texto de Rayra Janau (ASCOM/UFPA) e fotos de Laís Teixeira (ASCOM/UFPA) publicada no site da UFPA e que complementei com algumas fotos da professora Neusa Pressler:

Foto: Laís Teixeira
Foto: Laís Teixeira

“Temos que dar poder à sociedade para usar a internet de um jeito democrático e participativo.” A afirmação é do professor doutor Jan-Hinrik Schmidt (no twitter @JanSchmidt), durante a palestra “O paradoxo da participação: as mídias sociais e a participação no espaço público”, realizada, nesta quarta-feira, 16, no Auditório do Instituto de Ciências Jurídicas. O professor do Instituto Hans Bredow para Pesquisa sobre Mídia da Universidade de Hamburgo, Alemanha, ministrou o tema a convite da Casa de Estudos Germânicos da UFPA e do Departamento Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), com o apoio da Pró-Reitoria de Relações Internacionais (Prointer).

Na palestra, Schmidt destacou que o poder de participação na esfera pública, por meio da web, é bastante restrita. O paradoxo da participação significa que “por um lado, a internet oferece a possibilidade para as pessoas participarem, por outro lado, elas têm que fazer isso por meio de instrumentos, softwares, plataformas que, em si, não tem estruturas claras e não permitem maior participação”, afirmou o professor.

Limitação

Foto: Neusa Pressler
Foto: Neusa Pressler

Um exemplo sobre o que Schmidt identifica como o outro lado da participação é: se um buscador de internet seleciona informações erradas, incompletas ou manipuladas, prejudica a participação. Outro exemplo é quando uma petição online permite apenas a assinatura e não o debate do tema. Em ambos os exemplos a participação é limitada pelas regras da rede.

Segundo o professor, é importante debater o tema porque “a participação é o fator principal da democracia e a internet é a mídia da participação; de quem é o controle dessa internet da qual estamos participando também é uma questão essencial”.

Além de gerar conhecimento sobre mídias, o evento teve como objetivo “fazer as duas sociedades, a brasileira e a alemã, se conhecerem melhor e também estabelecer mais relações entre si”, afirmou a coordenadora da Casa de Estudos Germânicos, doutora Sabine Reiter, representante do Instituto Goethe e do Departamento Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD), em Belém.

Comparação

Foto: Neusa Pressler
Foto: Neusa Pressler

Após a apresentação do professor Schmidt, que citou informações sobre o consumo de internet em seu país, o professor Pedro Loureiro de Bragança, da Faculdade de Comunicação Social da UFPA, apresentou informações sobre o consumo de internet no Brasil. A comparação gerou uma série de questionamentos, tanto pelos participantes da mesa, quanto pelos ouvintes.

As discussões seguiram para além da relação entre participação online e democracia, contemplando temas como softwares livres, petições online, educação digital, profundidade das informações, monitoramento que os usuários de internet sofrem e como fica o papel dos jornalistas e publicitários nesse meio, em que a geração de conteúdos pode ser feita por qualquer um.

O estudante de Comunicação Social-Jornalismo da UFPA, Caio Oliveira, comentou que “foi muito útil compreender melhor nosso papel como esfera pública, filtrando os conteúdos mais pertinentes e sabendo como contribuir para a construção de um ambiente cibernético mais participativo e crítico”. Já para a professora doutora Neusa Pressler, da Universidade da Amazônia, o mais importante “é perceber a formação do usuário da internet e como nós podemos formar a população no exercício da cidadania, com o uso da internet.”

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Confira também a galeria com fotos gentilmente cedidas por Laís Teixeira e Neusa Pressler:

UFPA: Jan-Hinrik Schmidt vai discutir em Belém redes sociais e democracia digital

Pesquisador alemão abordará mudanças atuais no público e nas redes sociais baseados na internet e as suas consequências na política, economia e sociedade civil.

Nesta quarta-feira (16), às 9h, no Auditório do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará (UFPA), será realizada a palestra do Dr. Jan-Hinrik Schmidt (Instituto Hans Bredow para Pesquisa sobre Mídia da Universidade de Hambugo) que falará sobre “O paradoxo da participação: as mídias sociais e a participação no espaço público” e eu terei a honra de ser o debatedor.

O palestrante está em Belém à convite da Casa de Estudos Germânicos em parceria com a Pró-Reitoria de Relações Internacionais da UFPA e no dia seguinte estará na Bahia para participar do II Simpósio Internacional Brasil-Alemanha sobre Política e Internet organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Universidade Federal da Bahia (PósCom-UFBA).

O evento é aberto ao público, a entrada é franca e os meus alunos da Estácio FAP já foram “obrigados” a estar lá. Para quem não sabe onde fica, o auditório do ICJ fica perto do terminal do último portão da UFPA. Descendo do busú, vai pro lado esquerdo do portão até encontrar um prédio novo e todo envidraçado. A palestra será em inglês, mas vai rolar tradução simultânea.

Mais informações: 3201-7658 / 3201-7795 / ceg@ufpa.br.

Jan-Hinrik-Schimidt

Quem quiser conhecer mais a respeito, pode assistir esta entrevista excelente do Dr. Schmidt – mas só se entender alemão:

Não entendeu nada, né? Nem eu. Então vai a tradução resumida de um artigo publicado por ele em 2012 que aborda os temas que serão apresentados na palestra:

A Rede Democrática?

Jan-Hinrik Schmidt

Tradução resumida de um artigo publicado em Aus Politik und Zeitgeschichte 7/2012, p. 3-8: Sabine Reiter

Nem todos dividiam a euforia expressa pelo então presidente da França Nicolas Sarkozy nas vésperas da cúpula G8 em maio de 2011, uma cúpula que pela primeira vez tinha como tema o papel da internet na política, economia e sociedade. Segundo Sarkozy, a internet conseguiu passar o conhecimento para o maior público possível, fortalecer a democracia e os direitos humanos, reivindicou uma maior transparência de governos e fez pessoas oprimidas em alguns paises (no norte da África) levantar a voz. Para alguns jornalistas críticos, porém, a euforia dos G8 lembrava a “senhores coloniais da internet” em busca de controle e lucro nesse novo mundo.

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