Brasil, o país da ginástica olímpica

Os jogos panamericanos Rio 2007 revelaram que o Brasil tem imenso potencial na ginástica olímpica. As medalhas de ouro de Diego Hypólito, Jade Barbosa e Mosiah Rodrigues, além das tantas outras de prata e bronze, são conseqüência de um trabalho que começou com Luiza Parente, há 20 anos, e nos últimos tempos aumentou o fôlego a partir dos ótimos resultados internacionais de Daiane dos Santos e Daniele Hypólito.

Porém, enquanto o pavilhão nacional subia ao som de nosso hino e Diego era consagrado como medalhista panamericano, surgiu-me a reflexão: e se o Brasil fosse o país da ginástica olímpica?

Nas ruas deste imenso país de extensões continentais, não teríamos garotos chutando bolas de meias e tentando fazer gols em balizas improvisadas. Veríamos tablados demarcados com giz ou tijolo de construção e nesses quadriláteros observaríamos meninos e meninas fazendo exercícios de solo. Twists carpados, saltos mortais e flic flacs tornar-se-iam expressões corriqueiras em nosso linguajar. Seria símbolo de status ter aparelhos de ginástica em casa e as garotas mais cobiçadas iriam preferir os ginastas.

As camisas oficiais de clubes de futebol cederiam lugar aos collants de delegações internacionais, os homens usariam com orgulho o traje que o ginasta romeno usou nos jogos de Atenas, por exemplo. Os grupos de amigos ao invés de marcar aquele futebolzinho toda semana, combinam aquela ginástica olímpica marota numa das tantas arenas multiuso que as cidades teriam e o novo salto da Daiane ou o desempenho do Diego no final de semana seriam assuntos de mesa de bar em todas as rodinhas de bate papo.

Lembro quando em 1992, nas Olimpíadas de Barcelona, a seleção brasileira de vôlei masculino (de Tande, Giovani e Marcelo Negrão) ganhou a medalha de ouro. O futebol estava numa fase ruim, então a mídia massificou que a partir daquele momento o Brasil tornar-se-ia o “País do Voleibol”. Apesar da evolução e dos muitos títulos da equipe da era Bernardinho, a profecia não se concretizou e o futebol se manteve como seu esporte número 1.

Agora dá licença que estão me chamando. É minha vez no salto sobre o cavalo.